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Novo arroz da Embrapa, lançado na Agrotins 2018, permite até um terço a mais de produtividade

 

 

 

 


 

 

 

 

 

“Essa cultivar veio agregando uma produtividade muito grande em cima dos materiais que até então a gente tinha que vinham do Sul do Brasil. Nós chegamos a agregar 35% de produtividade com essa cultivar em relação às outras cultivares Clearfield que até então tínhamos no mercado”. É essa a opinião de Fausto Garcia, diretor da Uniggel Sementes, empresa licenciada pela Embrapa para a produção e a comercialização da BRS A702 CL, nova variedade de arroz.

O lançamento aconteceu durante a Agrotins, considerado um dos principais eventos do agronegócio do Norte brasileiro e que vai até o próximo sábado em Palmas, capital do Tocantins. Hoje, o estado é o terceiro em produção no país, ficando atrás apenas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). E o potencial de crescimento é grande, o que pode colocar o estado como o segundo em produção de arroz cultivado em áreas de várzea.

“O nosso potencial é extremamente grande e o que nós precisamos é de política pública pra que possam ser implementadas essas novas áreas e serem incorporadas à produção”, diz Fausto, referindo-se à grande área de várzea ainda disponível para o cultivo de arroz no Tocantins. Essa área fica na região dos municípios de Formoso do Araguaia, Lagoa da Confusão e Dueré. Mais de um milhão de hectares de várzea no estado ainda podem ser incorporados à produção; hoje, há 120 mil hectares plantados, de acordo com ele.

Daniel Fragoso é pesquisador da Embrapa e um dos responsáveis pelos trabalhos que levaram ao desenvolvimento da BRS A702 CL. Ele explica que “além das características que se requer numa cultivar, como produtividade e qualidade, esse material se diferencia por essas duas características: a precocidade e a tolerância ao herbicida Kifix, que é um herbicida de amplo espectro que controla praticamente todas as plantas daninhas que ocorrem na cultura do arroz”.

Mais características – O novo arroz da Embrapa tem como outras características um potencial produtivo médio de 7.650 kg/ha, alta tolerância ao acamamento e um rendimento de 61% em termos de grãos inteiros. Além do Tocantins, a BRS A702 CL é recomendada para Roraima. É também a primeira cultivar de arroz com a tecnologia Clearfield (sistema de produção desenvolvido pelo grupo Basf) específica para a região tropical brasileira.

Uma vantagem que impacta positivamente no custo final de produção é a redução na quantidade de aplicações de herbicidas. “Dos pontos de vista de custo de produção e de sustentabilidade, você reduz de cinco a duas, no máximo, aplicações”, de acordo com Daniel, que acrescenta a racionalização do uso de água para a produção como benefício: “permite a mudança do sistema de inundação por apenas o solo úmido. Isso permite você ampliar área e usar menos água por área”.

A BRS A702 CL apresenta ciclo precoce, indo em média de 106 a 120 dias. “Cerca de 20 a 25 dias (a menos) comparada às outras cultivares de ciclo médio. Isso permite maior flexibilidade para o produtor em termos dele escalonar o plantio e a colheita”, explica Daniel. Para Fausto, da Uniggel, “o mais importante é mostrar que nós temos potencial de produtividade. O que nós precisávamos realmente no Tocantins era buscar materiais desenvolvidos para essa nossa região, que até então a gente não tinha”.

Foto: Clenio Araujo (6279/MG) – Embrapa Pesca e Aquicultura

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